Quadrinhos também fazem biografias

Nem só de superheróis bombados ou mundos imaginários  vivem as histórias em quadrinhos. Nos últimos tempos, as histórias cotidianas ganharam bastante espaço no mercado, principalmente as narrativas autobiográficas. Graphic novels, nouvelle manga, HQ, ou gibi, não importa a denominação. O fato é que, cada vez mais, os quadrinhistas colocam a cara(literalmente) em suas histórias. O resultado deixa muita ficção no chinelo, como os exemplos abaixo:

RETALHOS, Craig Thompson

Retalhos é uma obra para adultos, mas sem pressões ou dificuldades desse gênero.É incrível a capacidade dessa obra em conduzir nossa leitura ao longo de quase 600 páginas(sim, seiscentas páginas). Não há como não se comover(e até se identificar) com a dureza da infância de Craig, o excesso de religião imposto pelos pais ou as dores de seu primeiro amor. Também não há como não se alegrar com amadurecimento vivido pelo autor ao longo da trama.

PERSEPÓLIS, Marjane Satrapi

Eu sei que provavelmente você viu a animação de 2007, mas vale a pena conferir a obra original de Marjane Satrapi. A obra retrata o universo caótico do Irã dos últimos anos, com revoluções nada revolucionárias tomando o poder e fizeram  a autora conhecera força de um regime autoritário bem cedo. E isso foi só o começo da série de mudanças drásticas  na vida de Marjane, que até mudou de país para fugir da brutalidade da ditadura. Com um humor bastante incomum, Persepólis nos insere na comovente vida da autora de forma bem divertida e, de quebra, nos ensina  um pouquinho mais de História.

MAUS, Art Spiegelman

Maus conta a história de Vladek Spiegelman, pai do autor, um judeu polonês que luta para sobreviver ao Holocausto. Não, não se trata de  mais uma  das tantas histórias que retratam o nazismo. É um relato do  complicado relacionamento do autor com seu pai e de como os fantasmas da guerra estiveram presentes durante toda a sua vida. Os desenhos possuem um traço único, com um ar simpático e ao mesmo tempo realista. Mas, o diferencial de Maus está em seu roteiro, com uma história emocionante cheia persogens bem trabalhados. Não é à toa que Maus rendeu  a Art Spiegelman um Prêmio Pulitzer Especial em 1992.

Anúncios

Sobre Giovanna Consentini
Jornalista, feminista e mestranda de Imagem e Som. Pesquisa temas ligados aos direitos humanos e representação feminina.

One Response to Quadrinhos também fazem biografias

  1. Dirce Quintino says:

    Tenho Persépolis e Maus, muito bons!!
    Só tá faltando ler Retalhos .

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: