Os 20 melhores filmes da década 00 – 2000 a 2009- Por Rod Castro

Agora os dez mais desta última década!

10 – Vermelho Como o Céu (2006)

Explicar o cinema é algo que a própria mídia tenta há anos. No cinema italiano essa possibilidade é um pouco mais freqüente do que nos demais cinemas mundiais. A diferença passa pela emoção, como o clássico “Cinema Paradiso” já o fez.

Em “Vermelho como o Céu” não é diferente. Uma das maiores homenagens ao som do cinema: garotos cegos de uma escola repressiva acabam se realizando através da experiência que somente o cinema pode dispensar.

Uma homenagem a inocência, a irmandade, as verdadeiras amizades e no querer fazer diferente. Prepare o lenço e não tenha vergonha, afinal, cinema é emoção.

09 – O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003)

Em 2002 “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolutions” chegou aos cinemas com crédito e fãs de sobra. O último filme decepcionou, frustrou milhões de fãs que acreditavam poder assistir algo tão poderoso quanto foi a trilogia de “O Poderoso Chefão”.

Esta possibilidade ficou para o ano seguinte, quando Peter Jackson levou para os cinemas a sua versão da última parte de sua trilogia baseada na obra de J.R.tolkien. A plateia vibrava, os atores se divertiam e por mais de dois anos o mundo virou refém das estréias de final de ano, mas sem Frodo e seus companheiros de aventura da Terra Média. Feliz final cinematográfico para uma obra que tantas vezes foi chamada de impossível de ser adaptada para o cinema.

08 – O Grande Truque (2006)

“Amnésia”. “Insônia”, “Batman Beggins”. Uma adaptação de um conto. Outra de um filme sueco. E uma readaptação de um mito para os anos 2000. Nolan precisava de algo seu, mesmo que contasse com a ajuda do irmão/parceiro nas obras anteriores.

“O Grande Truque” é um desafio, tanto para o diretor quanto para os espectadores. São tantas nuances, tantos aspectos e possibilidades que é impossível assistir ao filme mais uma vez e não perceber algo novo.Traz a mente a mesma sensação de quando você assisti ao mesmo espetáculo de um mágico e vê o truque da noite de uma forma diferente, mas ainda espetacular como na primeira vez.

07 – O Lutador (2008)

Darren Aronofsky consegue vender mentira como realidade.

Ele traz algo de verdade em suas obras que faz com que as pessoas se sintam dentro da história contada, como se fosse um personagem e não um mero observador. Não é somente a técnica usada para fotografar seus filmes, tem isso, mas é muito mais.

É a vontade de contar algo único, de forma tocante, com personagens reais em histórias comuns, mas que se tornam impactantes pelo jeito com que ele narra imageticamente. Não há exageros em o “Lutador” um grande contraste com o personagem escolhido, um lutador de luta livre – que sempre ensaiam suas lutas.

Não há como deixar passar uma atuação como a de Rourke no papel de Randy. Não há como conter as lágrimas ao final do filme. Afinal, até os brutos choram.

06 – O Jardineiro Fiel (2005)

“X-Men 3”, a nova franquia de “James Bond” e mais um filme de imenso orçamento.

Três projetos oferecidos ao mesmo diretor, no caso, Fernando Meirelles. E o que ele faz? Escolhe a adaptação de um consagrado livro de um dos autores mais difíceis de lidar no mundo: “O Jardineiro Fiel, de John le Carrè”.

Denso, fiel ao argumento original, dono de atuações poderosas e repleto de viradas calculadamente realizadas. Não é a toa que Meirelles escolheu o projeto, as possibilidades oferecidas ao diretor e ao público eram irrecusáveis.

Mesmo depois de 05 anos, rever “O Jardineiro Fiel” é sofrer o seu duro impacto, mesmo com uma cena tão bonita como a dos meninos que correm atrás da câmera. Reflexivo e emocionante.

05 – Bastardos Inglórios (2009)

O único filme de Quentin presente na lista. Mas acredite: “Kill Bill Vol. II” por muito pouco não teve seu espaço aqui. A recompensa vem em forma de insanidade, já cometida nos dois volumes de kung-fu do queixada.

Ganha forma com personagens históricos retratados de forma exagerada em um roteiro peculiarmente realizado com total originalidade. Só faltava um personagem Tarantinesco falastrão e visivelmente perigoso, ele tem nome e se tornou uma lenda no cinema moderno, mais que Gollum, mais que o Agente Smith: Hans Landa, o caçador de judeus.

Como o diretor mesmo fala, através de seu personagem principal, em seu take-assinatura: está deve ser sua obra-prima.

04 – Os Filhos da Esperança (2006)

Depois de dois filmes nos EUA, o mexicano Alfonso Cuarón largou a América e voltou para sua terra. Ali rodou o excelente “E Sua Mãe Também”, concorreu a dois Oscars – roteiro e filme estrangeiro – e em seguida retornou triunfante ao mercado que o subestimou, com o terceiro capítulo da série Harry Potter – inebriando o universo infantil e colorido do pequeno mágico, em “O Prisioneiro de Azhaban”.

Pronto, ele podia fazer o que quisesse, até realizar uma obra dita inadaptável, a ficção cientifica apocalíptica, “Filhos da Esperança”. Na história, por alguma razão as mulheres não conseguem mais engravidar – será? – e o último ser humano mais novo do mundo acaba de ser assassinado.

A história começa daí, passa por três espetaculares planos-sequência e chega a um final emocionante e memorável. Talvez o filme mais subestimado da década, mas isso o dignifica para se tornar o que já é: cult.

03 – Cidade de Deus (2002)

Um japonês (“Os Sete Samurais”). Um italiano, com produção americana (“Três Homens em Conflito”). Um brasileiro, “Cidade De Deus”. Estes são os únicos “estrangeiros” presentes na lista dos 250 melhores filmes de todos os tempos segundo o IMDB – lista feita por avaliação do público na internet.

Se formos levar em consideração somente os filmes dos anos 2000, apenas “A Origem”, “O Cavaleiro das Trevas” e “O Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei” fazem companhia ao filme de Meirelles. Em tempo em que o Rio de Janeiro finalmente combate o tráfico e vence nada como entender como a história de como tudo começou.

Modernamente clássico, ou você tem dúvidas de que uma frase como “Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno, porra.” não tem a mesma expressão para a história do cinema que “Rosebud”?

02 – Batman, O Cavaleiro das Trevas (2008)

Este filme nada mais é do que uma experiência de Nolan. Ele misturou o novo com o classic e deu dois passos adiante, construindo um novo clássico do cinema, não só moderno, mas histórico.

Veja o elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Heath Ledger, Morgan Freeman, Maggie Gyllenhall e Michael Kane. Veja a montagem: construção elementar de um personagem perigoso que tem sua presença marcada por um som em construção (“Psicose?”).

Note o momento da virada brutal e confrontadora entre os dois personagens principais do filme, com direito a comparações ideológicas e possíveis traições de contexto (“O Poderoso Chefão 2”?) e antes do fim: perceba que um filme dramático fabuloso foi embalado como blockbuster serial para consumo regado a pipoca e refrigerante. Como se Nolan perguntasse aos críticos: “Porque tão sério?”.

01 – Sangue Negro (2009)

Se Nolan, agora a pouco, orquestrou a modernização do estilo trabalhado por Coppola em “Batman, O Cavaleiro das Trevas”, Paul Thomas Anderson mexeu em um vespeiro maior: “Cidadão Kane” de Orson Welles.

Sei que comparações estragam conceitos, mas é impossível ver a figura excêntrica de Daniel Plainview, o imperador do petróleo e não fazer nos lembrar de Foster Kane, o imperador da mídia.

A diferença passa pela condução magistral de Anderson, assim como pela atuação de seu ator principal, que era muito melhor que Welles, muito melhor mesmo: Daniel Day-Lewis em seu papel derradeiro e mais marcante do cinema – e olha que estamos falando de um ator que fez Christy Brown de “Meu Pé Esquerdo” e Bill O Açougueiro de “Gangues de Nova Iorque”.

Denso como petróleo e com a atuação mais inflamável dos anos 2000. O filme que não pode deixar de ser visto durante os próximos dez anos.

Por Rodrigo Castro

 

Publicado originalmente em A Sétima e Todas as Artes

Anúncios

Sobre MaoDita
Mais um teste

3 Responses to Os 20 melhores filmes da década 00 – 2000 a 2009- Por Rod Castro

  1. Danyel Biel says:

    Gostei desse lista hein, mas bem que podia ter alguns do Lars Von Trier como, Dogville e Dançando no Escuro, e tirar o Homem aranha. é muito simples e bobinho, mas só o fato de não ter O Labirinto do Fauno já tá perfeito

    • Legal Danyel. Listas são assim né? Tem gosto, tem percepção do público e principalmente, no meu caso, tem o lance de o que este filme fez com o mercado mesmo em si. Quantos filmes ele influenciou, o quanto suas cenas são lembradas e os comentários ligados ao filme em si. Lars é foda, por muito pouco algo dele não entrou, mas acho que se entrasse seria Dogville – Ah, eu acho Labirinto do Fauno muito fraco, sou mil vezes o excelente e sempre esquecido Espinha do Diabo do Guillermo. Abraços.

      Fala Breno, bacana? Então, vi Cidade de Deus no cinema. Ali no Cinemark. Vou ao cinema desde os meus 04 anos de idade – meu primeiro filme vi no Cinema Novo, ali na Joaquim Nabuco. Nunca deixei de ver filmes, principalmente nos cinemas e Cidade de Deus teve um poder muito grande, ainda mais no cinema. Tanto que no dia em que vi o filme, a reação de todo o cinema foi aplaudir, de pé. eu tinha 24 anos – 20 vendo filmes – nunca tinha visto tal poder, vindo de algo nacional sim, com poder mundial, sim – confira as listas de especialistas e cineastas e veja como o filme é poderoso, não é patriotismo não, é reconhecimento. Respeito sua opinião, mas sempre levo muita coisa em consideração, como expliquei acima. Abraços!

  2. Cidade de Deus 3° melhor? Vamos parar de patriotismo bobo né gente. O nosso cinema tem evoluído muito mas está muito aquém. Quando quiseram comparar o Senhor dos Anéis com Cidade de Deus foi a piada do ano

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: