Os 20 melhores filmes da década 00 – 2000 a 2009- Por Rod Castro

Dia desses, via Orkut, um grande conhecedor de cinema, meu velho amigo João – na opinião do escrevinhador aqui, o melhor vendedor de filmes de Manaus – provocou-me com a seguinte pergunta: e os melhores filmes dessa década zero-zero? Eu tinha que responder. Que trabalheira isso me deu, viu João? Mas valeu a pena para notar que os anos 2000 foram muito melhores do que algumas pessoas dizem não terem sido. Ficaram praticamente 35 filmes de fora da lista dos 20 melhores. Você leu? 35 bons filmes ficaram de fora. E isso só ocorreu porque as animações – em 2D ou 3D – ganharam uma lista a parte: “As Dez Melhores Animações dos anos 2000”, este post dá pra achar aqui no histórico do A Sétima.

Mas vamos ao que interessa, lembrando que os filmes que postei este ano, mas que eu deveria ter visto no ano passado, vão estar presente na próxima lista, na próxima década. Então nada de choramingar, ok?

20 – O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)

Romantismo. Arte. Uma personagem que remete a infância de quase todos os criativos. Um diretor destruído pela mídia após um fracasso. Este enredo é o que sublima tudo por trás do melhor filme francês dos anos 2000 – muitos vão lembrar também de “Cachè”, mas prefiro o amor que a crueza.

Amélie ficou no subconsciente de milhões de mulheres espalhadas pelo globo, assim como a dezena de personagens que a cercam. Filme para se ver juntos ou até mesmo sozinho, mas bem acompanhado.

19 – O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004)

Se ao final dos anos 2000 Charlie Kaufman havia deixado sua marca na indústria do entretenimento com um filme pensante (“Quero Ser John Malkovich”), os anos seguintes foram à confirmação de sua presença como autor dos roteiros mais originais do novo milênio.

Em menos de 05 anos ele produziu mais 04 roteiros interessantes. Sendo que o mais dinâmico, inspirador e porque não, o melhor deles, ganhou a companhia de um diretor simples (Michel Gondry) inteligente e que comandou atuações magistrais (Jim Carrey e Kate Winslet). “O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” é inclassificável como todos os filmes de Kaufman, mas ganha, com o passar dos anos, o ar de obra-prima.

18 – Boa Noite e Boa Sorte (2005)

Este pode ser o filme mais injustiçado da última década. Mas penso que George Clooney e todos os envolvidos já imaginavam isso. Seria impossível realizar um filme tão sério, com uma verve política tão forte e agradar a todos.

É o filme certo na hora certa – fazia pouco tempo que Michael Moore havia realizado um filme denúncia contra o sistema de informações falsas do Governo Bush – tem direção firme do naquela época não levado a sério Clooney (que também participou do roteiro) e tem em seu protagonista – uma excelente atuação de David Strathairn – a imagem do que é ser um verdadeiro jornalista. Merece ser redescoberto por muitos que não o viram.

17 – Corpo Fechado (2000)

M. Night Shyamalan um dia foi descrito por este redator como o novo Steven Spielberg dos anos 2000. Não foi a toa: seu primeiro filme de mistério (“O Sexto Sentido”) arrebentou com a bilheteria e levou a crítica a reverenciá-lo – assim como aconteceu com Spielberg em “Tubarão”.

Em seu segundo filme de destaque – Shyamalan fez outro filme menor ainda nos anos 90, além de “Sexto Sentido” – o diretor dá a sua fórmula de como fazer um filme de super-heróis: cria um enredo de mistério ao contar a vida do único sobrevivente de um desastre de trem; mostra como ele começa a se dar conta de que é alguém especial; cria dois personagens magníficos – o “sidekick” perfeito: o filho do herói, e o vilão mais que perfeito: o amigo adverso; transforma a cena de heroísmo em um sofrimento real; e faz de suas últimas cenas as mais criativas de toda a sua carreira, apesar das mesmas lembrarem o fim de seu primeiro grande sucesso. Se Shyamalan tivesse continuado assim, hoje seria o rei do cinema moderno.

16 – Homem Aranha 2 (2004)

Sam Raimi acertou em quase tudo no seu primeiro filme de super-herói: criou um personagem clássico, colocou em seu caminho um romance impossível e fez triunfá-lo no final. Mas espere, não estou falando de “Homem Aranha”, não, estou falando de “Darkman”. No primeiro filme do teioso ele na verdade fez um esboço do que poderia fazer, caso o público e o estúdio realmente lhe desse toda a liberdade para trabalhar.

Em “Homem Aranha 2” Raimi ultrapassa todas as expectativas e tece uma teia perfeita para prender todo e qualquer admirador de filmes de ação, ou fãs de quadrinhos: realizou uma das melhores cenas de suspense do cinema de aventura (o “nascimento” do DR. Octopus), transforma seu Peter Parker em um cara “cool” e deu vida a uma das melhores cenas de vilão contra herói de todos os tempos (a já famosa briga do metrô). Uma pena que ele errou a mão na terceira parte, mas com o Venom, o que se poderia esperar?

15 – 21 gramas (2003)

“Amores Brutos” de Iñarritú foi um choque para os cinéfilos e toda crítica: a modernidade aplicada a sua edição, a crueza com que os mais diversos seres humanos foram retratados, os temas atuais abordados sem distorção e um dos acidentes de carro mais poderosos da história do cinema moderno – assim como aquele que ocorre em “Adaptação” – foram alguns dos elementos que fizeram deste filme um marco nos anos 2000.

Pulo no tempo. O diretor mexicano entra na maior indústria de cinema. Em vez de se deixar levar pelas fórmulas de se contar um novo drama, impõe o seu jeito de contar a vida de: um homem prestes a morrer – uma das melhores atuações da carreira de Sean Penn – uma viúva que não sabe como reparar as suas perdas – Naomi Watts em sua melhor interpretação – e um preso arrependido que terá sua fé em xeque – a melhor atuação de Benício Del Toro.

É assim, com retalhos soltos, que são costurados pelo público, como se fosse um desafio emocional a ser travado com total atenção, que Iñarritu realizou a sua primeira-obra prima. O desafio dessa próxima década para o mexicano: realizar outro filme tão poderoso como este sem a parceria do seu roteirista Guillermo Arriaga.

14 – Réquiem por um Sonho (2000)

Reflexão. Está é a primeira reação de todo e qualquer espectador que se deparou a primeira vez com este filme. Segundos, talvez até minutos de silêncio sejam naturais após um dos finais mais chocantes dos anos 2000.

O poder de Réquiem está espalhado por tantos fatores que fica difícil de retratar somente um: o som é feito na medida, a edição é frenética no momento certo e lenta em momentos capitais, as atuações são perfeitas – aqui fica a lembrança de uma das maiores injustiças cometidas nos Oscars dos anos 2000: Ellen Burstyn mais que merecia este prêmio – e a história tem tantas camadas que é natural assistir novamente ao filme e notar algo novo.

Este foi o primeiro passo de Aronofsky rumo a sua obra-prima, que está mais a frente nesta lista. Ah, não dê bola para milhares de pessoas que falam que “Réquiem” é um filme deprimente e que não deve ser assistido várias vezes.

13 – Donnie Darko (2001)

Se os anos 90 possuem um personagem emblemático, ele se chama Tyler Durden. E nos anos 2000? Fácil resposta: Donnie. Um garoto que acorda em lugares inesperados, veste-se como uma caveira no dia do Halloween, viu uma turbina de avião cair sobre o seu quarto – apesar de nunca terem achado o avião – e misteriosamente costuma ver um coelho horrível em vários lugares.

Há tantos modos de se ver a trama de Donnie Darko que você ficaria abismado em notar como há sites e mais sites dedicados a mitologia, com teorias que deixariam os fãs de Lost perdidinhos. Se há um filme que deve ser visto dentre todos esses aqui listados pela experiência que pode propiciar, este é Donnie Darko.

12 – Deixa Ela Entrar (2009)

Na década de 80, tivemos a sensualidade e a desilusão do mito em “Fome de Viver”. Na de 90, a glorificação do clássico com “Drácula de Bram Stoker”. Nos anos 2000 nada de Crepúsculo. A verdadeira mitificação do eterno chupador de sangue veio de forma delicada e aterradora com o sueco “Deixa Ela Entrar”.

Como Hitchcock tantas vezes afirmou: a simplicidade assusta. E quando ela ganha contornos delicados como o rosto de crianças, se eterniza, assim como a lenda. Filme de orçamento mínimo e que não teve o devido reconhecimento nas mais importantes premiações, mas não é assim que se constroem os mitos?

11 – O Segredo de Brokeback Mountain (2005)

Depois de “O Tigre e o Dragão”. Depois de “Donnie Darko”. Um pouco antes de “O Cavaleiro das Trevas”. É com essa pencha, hoje, que “O Segredo de Brokeback Mountain” é lembrado.

Mas antes do filme ganhar as telas, ficou conhecido por “chocar” seus espectadores. Talvez este seja o filme mais corajoso dos anos 2000, também um dos mais delicados e com certeza seja o que encarou uma história de amor impossível, mas moderna. Não só pela sua temática, mas pelas atuações, excelente trilha e fotografia.

Mas tudo isso ocorre pelo comando firme, sem exageros e humano de Ang Lee. Obrigatório para entender o cinema dos anos 2000, importante para entender que Ledger tinha muito mais talento dentro de sua cabeça do que beleza em seu rosto.

Amanhã posto os dez mais!

Por Rodrigo Castro

 

Publicado originalmente em A Sétima e Todas as Artes

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