Os Hermanos estão dando aula de cinema: Abutres

Arriscar tudo. Aprender que a hora de fazer seu melhor não é a esperada, mas sim a que surge a sua frente. Arriscar em uma história não convencional. E descobrir que escrever com a câmera é bom, mas com um roteiro interessante, é melhor ainda.
Esses são conceitos básicos de se fazer um bom cinema, afinal, qualquer bom diretor que se preze irá atrás de um bom roteiro para fazer um filme. Ele também se arriscará a contar histórias que a maioria dos gênios ignora por não serem convencionais ou muito menos de acesso geral.
Mas este risco, o de tatear no escuro, de entender que o que (ainda) não foi mostrado é melhor do que chover no molhado é algo novo para cá dessas bandas do cinema latino. Meirelles apostou nisso quando fez “Cidade de Deus” – afinal, quando que um filme que traz a história de uma rede criminosa faria sucesso entre os cultos e os populares? – o argentino Juan José Campanella também mostrou um olhar diferenciado ao realizar comédias dramáticas como “O Filho da Noiva” e “Clube da Lua” e ao apostar suas fichas no excelente filme “O Segredo dos Seus Olhos”, no ano passado.
O que faz este artigo andar entre Brasil e Argentina é o fato de os Hermanos saírem do lance popular, ao contrário de nossos trabalhos tupiniquins. Não há tanta gana em se utilizar de “astros da TV” – até mesmo porque, na Argentina a televisão dá mais prioridade a informação que a ficção – para chamar o público.
Essa função é exercida pelo hábito – algo que adormece e acorda por essas nossas bandas. Que o cinema brasileiro cresceu, isso ninguém nega, mas a abertura para trabalhos diferenciados, com histórias não convencionais e que preferem ser aceitas em um nicho ao invés de agradar a uma maioria, praticamente não existe, isso é fato.
É por isso que um filme como “Abutres” deve ser visto por você. Um filme duro na temática – uma rede de advogados que vive de explorar pessoas mais carentes e que sofreram acidentes de trânsito, uma verdadeira máfia – que explora seus personagens de forma mais real que dramática – as cenas de improviso são notáveis – e que por meio de vários planos-sequência, cria um labirinto que você torce para achar a saída, junto ou não daquelas pessoas.
 “Abutres” incialmente deixará você confuso, mas é uma sensação agradável, como nos filmes do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (“Amores Brutos”, “21 gramas” e “Babel”). O impacto do final da história é que é mais avassalador que no dos filmes do mexicano. É fulminante e marcante para os seus personagens.
Com certeza, um dos melhores filmes que vi este ano. Recomendo, nota 9,0!

Texto por Rodrigo Castro

Publicado originalmente em A Sétima e todas as artes

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