Resenha HQ: Três Sombras

Uma história sobre relações familiares, um conto de suspense e a narrativa de uma viagem épica. Essas três definições cabem à graphic novel Três Sombras, do francês Cyril Pedrosa. Os três estilos se alternam com a mesma suavidade que o artista imprime nas páginas em preto e branco. A arte fluida e de traço livre dá vida a personagens representados de forma cartunesca, sem abrir mão da expressividade de cada momento.

Três sombras fala sobre perda e aceitação. Enquanto algumas pessoas não aceitam a perda até o último instante, outras nunca a admitem. É como voltar para casa após uma longa viagem e sentir saudades de tudo o que conheceu. A tristeza pesa, mas é preciso continuar. Não se trata de uma história surpreendente, mas o roteiro mantém o interesse pela narrativa até o final.

Somos apresentados no álbum à Louis e Lise que vivem numa casinha de campo juntos com seu filho Joachim. A vida é parnasiana e bucólica, nada falta para a família. Até que um dia chegam as três sombras do título. A partir daí a história se alterna entre momentos infantis e assustadores.

O autor cria uma ótima ambientação para cada passagem e capricha nos personagens. As ações deles são coerentes. Desde a velha Pique até os companheiros de viagem no barco, todos têm motivações críveis. Ao revelar o que há de mais importante para cada personagem, Pedrosa reforça o consequente medo da perda.

Com os protagonistas não é diferente. A tristeza de Lise, a obstinação de Louis e a sinceridade de Joachim fazem sentido com o desenrolar da trama. Mesmo ao apresentar um mundo em que coisas fantásticas e sinistras acontecem a todo tempo, as emoções humanas estão todas ali, sempre presentes. E nada disso passa despercebido por Joachim, que tudo interpreta ao seu modo.

O maior mérito da história é a cumplicidade que busca manter com o leitor. O autor criou uma relação entre o que os desenhos mostram, o que os personagens falam e o que ambos deixam que o leitor complete por si só. É com a compreensão de como esses três elementos se completam que Cyril Pedrosa escreveu uma fábula bonita e envolvente.

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