Os 20 melhores filmes de 2010

Deu trabalho, mas foi, como sempre, prazeroso. Rever a lista que faço de filmes assistidos em um ano – cerca de 175 filmes em 2010 – fez-me lembrar de momentos importantes, bons, tristes e marcantes deste último ano.

Vamos ao que interessa? Eis a lista, divirta-se!

20 – Vício Frenético – de Werner Herzog

Faz tempo que Nicholas Cage se tornou uma anedota. Faz tempo que o diretor Werner Herzog busca se aproximar do público em geral e se reafirmar como um grande realizador. A grande sacada do alemão foi chamar Cage para esta regravação de um filme transoloucado e muito bom do dirtetor Abel Ferrara. Trama coesa, momentos gravados em handcam, trilha estourada e de fundo a reconstrução de New Orleans, recém destruída pelo Katrina. Uma das surpresas do ano.

19 – O Livro de Eli – de Albert e Allen Hughes

Momento redenção: os caras que estragaram uma das melhores obras dos quadrinhos modernos – “Do Inferno”, de Alan Moore – conseguem reverter o caminho de suas carreiras com este filme que mistura faroeste com samurai, abusa de uma fotografia saturada e de um som impressionante, tem Denzel Washington se divertindo a beça e ainda premia o público com um final original. Parece tudo, menos cinema americano.

18 – Direito de Amar – de Tom Ford

Quem diria que um estilista poderia fazer um filme? Quem diria que este estilista, Tom Ford, tornaria-se não somente um diretor, mas um diretor autor – ele produziu, roterizou e dirigiu o filme? Pois “Direito de amar” é uma estréia absolutamente perfeita de Ford e traz uma história que passa longe dos cacoetes já mostrados em filmes que falam sobre homossexuais. É daqueles filmes simples, mas que deixam boas lembranças.

17 – Como Treinar o Seu Dragão – de Dan Deblois e Chris Sanders

Em um ano com um filme da Pixar – “Toy Story 3” – e outro do mestre Myiazaki – “Ponyo” – algo inesperado: “Como Treinar o Seu Dragão” é a melhor animação que vi em 2010. Os motivos são: ótimo roteiro, uma animação sem grandes rompantes artísticos, porém bem feita e um grande número de personagens inesquecíveis. Tudo isso envolto como um filme de aventura para a criançada como os bons e hoje clássicos “Goonies” e “De Volta Para O Futuro”. Pena que o perdi em 3D nos cinemas.

16 – Mother, A Busca Pela Verdade – de Joon-ho Bong

Ele tem apenas 41 anos. Fez somente 04 filmes. Tem um neoclássico em seu curículo – “O Hospedeiro” – um bom policial – “Memórias de um Assassino” – e um futuro imenso pela frente. Joon-ho Bong fez mais em “Mother”: emocionou, dramatizou, fez rir e conseguiu arrancar excelentes atuações de seu elenco. “Mother” mostra até que ponto uma mãe pode ir pelo seu filho e esse caminho não é fácil.

15 – Guerra ao Terror – de Kathryn Bigelow

Com dois bons filmes de ação realizados na década de 90 – “Caçadores de Emoção” e “Strange Days” – a diretora Kathryn Bigelow volta a velha forma ao realizar um filme diferente sobre a Guerra que os EUA travam contra os “terroristas” espalhados pelo Oriente Médio. Há mais mérito no trabalho feito pela diretora e no jeito de contar essa história do que pelo filme e suas possibilidades em si.

14 – Enterrado Vivo – de Rodrigo Cortés

Um enredo simples: um cara enterrado vivo. 1h e 30 minutos de total desespero, dele e de quem assiste ao filme. O risco corrido pelo Diretor Espanhol Rodrigo e o roteirista Americano Chris Sparling – segundo trabalho de ambos no cinema – foi grande, mas com um final como que foi escrito e encenado, como errar? Uma das maiores surpresas do ano, um filme impactante.

13 – A Ilha do Medo – de Martin Scorsese

O maior mérito de Scorsese e Eastwood, em minha opinião, é: sai ano, entra ano, eles lançam um filme, que sempre é muito melhor do que muitos outros que passam semanalmente no cinema. Aqui não é diferente, misturando elementos de filmes de terror/suspense/noir o mestre dos filmes policiais dos últimos anos entrega uma obra complexa que se perpetúa em mais uma excelente atuação de Leonardo DiCaprio.

12 – A Estrada – de John Hillcoat

Filmar o fim do mundo não é novidade. Mostrar a busca pelo que ocorreu, como foi e para onde a humanidade vai depois do desastre é uma estrada que o diretor australiano John Hillcoat deixou de lado e preferiu seguir por um caminho mais dramático, porém, mais humano. Um dos filmes mais bonitos do ano. Merece ser descoberto.

11 – Lunar – de Duncan Jones

O que mais dizer sobre o espaço além do que já foi dito? Que referências não explorar além das que já foram sugadas ao extremo? Como fazer um filme de ficção científica com um orçamento pífio? Duncan Jones, nas horas vagas o filho de David Bowie, responde a todas essas questões em um filme complexo, com uma das melhores atuações do ano – Sam Rockwell – em pouco mais de 1h30 de pura ficção científica. Olho em Jones e pode anotar: este é um filme para se tornar cult.

10 – Onde Vivem os Monstros – de Spike Jonze

Skatista. Fotógrafo. Diretor de vídeo clipes – do melhor de todos os tempos, “Saboatege” dos Beastie Boys – roteirista por opção, ator por diversão (como em “Três Reis”) e namorador de celebridades. Mas acima de tudo: um cara que sabe agarrar uma boa oportunidade. Este é Spike Jonze, que fez um dos filmes mais sensíveis de 2010. Para isso ele contou com uma história pequeníssima, porém bela; um ator mirim fantástico; e uma equipe que deu vida a cenários impressionantes e monstros terrivelmente amorosos. Este é o novo passo na carreira. Promete.

09 – O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus – de Terry Gilliam

Com 70 anos de idade, o veterano diretor americano Terry Gilliam tem somente 11 filmes realizados. Boa parte deles com o grupo de comediantes do Monty Python. Neste, o terceiro nos anos 2000, ele põe em tela todos os maiores elementos já presentes em sua carreira. A diferença está nos novos efeitos que podem ser alcançados nestes tempos de computação gráfica. “O Mundo Imaginário” se tornou o último filme de Heathe Ledger, mas é muito mais que isso. É um dos filmes mais artísticos do ano. Recomendo-o em Blu-Ray, chega a ser embasbacante.

08 – Invictus – de Clint Eastwood

Já falei de Martin Scorsese. Até já falei de Clint. Mas é impossível fazer uma lista de melhores filmes deste ano 2010 e não citar o emocionante e perefeitamente dramático “Invictus”. Arrisco-me a dizer que este é o melhor filme sobre esporte já feito. Assim como arrisco-me a afirmar que está é a melhor interpretação de Morgan Freeman. Uma homenagem a um dos homens mais importantes no nosso século (Nelson Mandela), feita por outro dos mais importantes do atual cinema mundial (Eastwood). Obrigatório.

07 – Atração Perigosa – de Ben Affleck

Ele já foi indicado e saiu vencedor do Oscar – pelo roteiro de “Gênio Indomável”. Foi o “muso” de Kevin Smith no cinema independente americano. Ficou conhecido uma época como o namorado da Jennifer Lopez. Mas hoje ele deve sorrir em algum lugar ao saber que as pessoas já assistiram a dois de seus filmes e os acharam muito bons. Este “Atração Perigosa” é tudo o que se pede de um filme policial, principalmente de um filme de assalto: ação na medida certa, atores com sede de mostrar seus talentos; e uma história com guinadas eficientes. É o novo “Caçadores de Emoção”, com mais a oferecer.

06 – Tropa de Elite 2 – de José Padilha

Um erro. “Tropa de Elite” foi um erro. Essa continuação é um pedido de desculpas. E é bem aceito pore este escriba. Tudo de errado que o diretor José Padilha cometeu em seu policial facistóide é desfeito com cinema de primeira categoria, como ele já o tinha feito no documentário “Ônibus 174”. A coisa mais importante do filme não é o acerto de contas com o que é certo, mas sim mostrar o que há por detrás de um pensamento unilateral – algo que parece prolíferar na internet. Mostrando que os maiores culpados do sistema existir não são os políticos, os filhinhos de papai, ou a corrupção na polícia, como muitos ainda não entenderam, somos nós, eu, você e muitos outros que aceitamos certas coisas como normais.

05 – Scott Pillgrim Contra o Mundo – de Edgar Wright

Agora ainda não. Mas daqui uns dois ou três anos, vários que não tiveram a oportunidade de ver Scott Pilgrim o colocarão em um patamar maior do que neste momento em que eles veem que o filme ocupa aqui a quinta colocação. Mas falo do agora e agora não há melhor adaptação de quadrinhos, quando o assunto é diversão que “Scott”. Fracasso de público? Bobagem. Falta de empresas para distribuir? Calma, todos os Cults começaram assim. É uma lição de como se adaptar uma obra estática em outra em movimento, respeitando seu contexto e seu texto.

04 – O Segredo de Seus Olhos – de Juan José Campanella

É inegável: os argentinos fizeram um maravilhoso filme. Clássico no seu estilo de contar. Belo no contexto do amor que não se concretiza. Engraçado pelos personagens que o compõem. Emocionante em momentos singelos, com imensos detalhes e com frases marcantes. E genial em um plano sequência que está ao lado de outros maravilhosos do cinema moderno – como em “Desejo e Reparação” e “Filhos da Esperança”. Campanella (o mesmo diretor de “O Filho da Noiva” e “Clube da Lua”) merece: é um “cucaracha” que venceu preconceitos em solo americano (fez séries como “House”, “Law & Order” e “30 Rock”) e entrega uma excelente adaptação de um grande livro argentino. Parabéns hermanos.

03 – A Origem – de Christopher Nolan

Eu me lembro quando Clint Eastwood era chamado de carrancudo. De quando Alfred Hitchcock era o gorducho, Chaplin era o judeu, Allen o baixinho e Scorsese o o sombrançelhas grossas. Será que Nolan é o “boca mole” ou o “calvo de um lado”? Explico: há no mundo dos apreciadores do cinema, uma perseguição a quem faz bons trabalhos e ganham a aclamação do público sem precisar se afirmar inteligente em entrevistas. Há um ranço, bobo, de quem gosta de cinema em perseguir pessoas que fazem cinema bom do jeito que o cinema foi criado: popular. Esse problema atingiu a vida desses que eu falei acima e que hoje são considerados pelos mesmos detratores como gênios, ícones e blá-blá-blá. A hora de Nolan vai chegar, não é com este excelente “A Origem”. Mas vai chegar.

02 – A Rede Social – de David Fincher

Não se engane. Não se deixe levar. A maioria dos blogs que hoje endeusam o trabalho de Fincher frente a “A Rede Social” é escrito pelas mesmas pessoas que dia desses o chamavam de mero fazedor de clipes e comerciais – mesmo erro cometido com Fernando Meirelles. Eles também diziam que Fincher fazia filmes escuros e subverssivos, vivia de picotar seus planos e o mais importante: eles são os mesmos que riram – apesar de hoje não admitirem – ao saberem que ele faria “um filme sobre o Facebook”. Este é o melhor trabalho de David Fincher, um cara que fez três dos melhores filmes da década de 90 – “Se7en”, “Vidas em Jogo” e “Clube da Luta” – e que despreza a pencha que adoram jogar em cima dos novos “gênios” do cinema – de diretor autoral – pra longe, como ele mesmo afirmou em seu discurso no “Globo de Ouro”. É o melhor filme do ano? Não, por muito pouco.

01 – Sede de Sangue – de Chan-wook Park

Há histórias que se perpetuam no imaginário popular. Bram Stoker fez a sua: um homem que se torna sugador de sangue ao romper com suas crenças, em Drácula. Mas como recontar mais uma vez o que já foi dito infinitamente pelo cinema? Como ousar onde outros já o fizeram? E principalmente: como se utilizar de recursos de imagem que pareçam originais e inéditos? Chan-wook Park, o melhor diretor de cinema da Coreia do Sul nos diz como. A história respeita o clássico: um padre serve de cobaia para o teste de uma possível vacina para um vírus mortal. Ele quase morre, mas volta a vida com sede de sangue. Há tantas coisas para se falar deste grande filme, que seria injusto da minha parte comentá-las. Pois todas envolvem o inesperado. Daqueles filmes que transformam alguns minutos da sua vida em momentos inesquecíveis. Este é o melhor filme que vi em 2010.

Por Rodrigo Castro

Publicado originalmente em A Sétima e todas as artes

Os 20 melhores filmes da década 00 – 2000 a 2009- Por Rod Castro

Agora os dez mais desta última década!

10 – Vermelho Como o Céu (2006)

Explicar o cinema é algo que a própria mídia tenta há anos. No cinema italiano essa possibilidade é um pouco mais freqüente do que nos demais cinemas mundiais. A diferença passa pela emoção, como o clássico “Cinema Paradiso” já o fez.

Em “Vermelho como o Céu” não é diferente. Uma das maiores homenagens ao som do cinema: garotos cegos de uma escola repressiva acabam se realizando através da experiência que somente o cinema pode dispensar.

Uma homenagem a inocência, a irmandade, as verdadeiras amizades e no querer fazer diferente. Prepare o lenço e não tenha vergonha, afinal, cinema é emoção.

09 – O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003)

Em 2002 “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolutions” chegou aos cinemas com crédito e fãs de sobra. O último filme decepcionou, frustrou milhões de fãs que acreditavam poder assistir algo tão poderoso quanto foi a trilogia de “O Poderoso Chefão”.

Esta possibilidade ficou para o ano seguinte, quando Peter Jackson levou para os cinemas a sua versão da última parte de sua trilogia baseada na obra de J.R.tolkien. A plateia vibrava, os atores se divertiam e por mais de dois anos o mundo virou refém das estréias de final de ano, mas sem Frodo e seus companheiros de aventura da Terra Média. Feliz final cinematográfico para uma obra que tantas vezes foi chamada de impossível de ser adaptada para o cinema.

08 – O Grande Truque (2006)

“Amnésia”. “Insônia”, “Batman Beggins”. Uma adaptação de um conto. Outra de um filme sueco. E uma readaptação de um mito para os anos 2000. Nolan precisava de algo seu, mesmo que contasse com a ajuda do irmão/parceiro nas obras anteriores.

“O Grande Truque” é um desafio, tanto para o diretor quanto para os espectadores. São tantas nuances, tantos aspectos e possibilidades que é impossível assistir ao filme mais uma vez e não perceber algo novo.Traz a mente a mesma sensação de quando você assisti ao mesmo espetáculo de um mágico e vê o truque da noite de uma forma diferente, mas ainda espetacular como na primeira vez.

07 – O Lutador (2008)

Darren Aronofsky consegue vender mentira como realidade.

Ele traz algo de verdade em suas obras que faz com que as pessoas se sintam dentro da história contada, como se fosse um personagem e não um mero observador. Não é somente a técnica usada para fotografar seus filmes, tem isso, mas é muito mais.

É a vontade de contar algo único, de forma tocante, com personagens reais em histórias comuns, mas que se tornam impactantes pelo jeito com que ele narra imageticamente. Não há exageros em o “Lutador” um grande contraste com o personagem escolhido, um lutador de luta livre – que sempre ensaiam suas lutas.

Não há como deixar passar uma atuação como a de Rourke no papel de Randy. Não há como conter as lágrimas ao final do filme. Afinal, até os brutos choram.

06 – O Jardineiro Fiel (2005)

“X-Men 3”, a nova franquia de “James Bond” e mais um filme de imenso orçamento.

Três projetos oferecidos ao mesmo diretor, no caso, Fernando Meirelles. E o que ele faz? Escolhe a adaptação de um consagrado livro de um dos autores mais difíceis de lidar no mundo: “O Jardineiro Fiel, de John le Carrè”.

Denso, fiel ao argumento original, dono de atuações poderosas e repleto de viradas calculadamente realizadas. Não é a toa que Meirelles escolheu o projeto, as possibilidades oferecidas ao diretor e ao público eram irrecusáveis.

Mesmo depois de 05 anos, rever “O Jardineiro Fiel” é sofrer o seu duro impacto, mesmo com uma cena tão bonita como a dos meninos que correm atrás da câmera. Reflexivo e emocionante.

05 – Bastardos Inglórios (2009)

O único filme de Quentin presente na lista. Mas acredite: “Kill Bill Vol. II” por muito pouco não teve seu espaço aqui. A recompensa vem em forma de insanidade, já cometida nos dois volumes de kung-fu do queixada.

Ganha forma com personagens históricos retratados de forma exagerada em um roteiro peculiarmente realizado com total originalidade. Só faltava um personagem Tarantinesco falastrão e visivelmente perigoso, ele tem nome e se tornou uma lenda no cinema moderno, mais que Gollum, mais que o Agente Smith: Hans Landa, o caçador de judeus.

Como o diretor mesmo fala, através de seu personagem principal, em seu take-assinatura: está deve ser sua obra-prima.

04 – Os Filhos da Esperança (2006)

Depois de dois filmes nos EUA, o mexicano Alfonso Cuarón largou a América e voltou para sua terra. Ali rodou o excelente “E Sua Mãe Também”, concorreu a dois Oscars – roteiro e filme estrangeiro – e em seguida retornou triunfante ao mercado que o subestimou, com o terceiro capítulo da série Harry Potter – inebriando o universo infantil e colorido do pequeno mágico, em “O Prisioneiro de Azhaban”.

Pronto, ele podia fazer o que quisesse, até realizar uma obra dita inadaptável, a ficção cientifica apocalíptica, “Filhos da Esperança”. Na história, por alguma razão as mulheres não conseguem mais engravidar – será? – e o último ser humano mais novo do mundo acaba de ser assassinado.

A história começa daí, passa por três espetaculares planos-sequência e chega a um final emocionante e memorável. Talvez o filme mais subestimado da década, mas isso o dignifica para se tornar o que já é: cult.

03 – Cidade de Deus (2002)

Um japonês (“Os Sete Samurais”). Um italiano, com produção americana (“Três Homens em Conflito”). Um brasileiro, “Cidade De Deus”. Estes são os únicos “estrangeiros” presentes na lista dos 250 melhores filmes de todos os tempos segundo o IMDB – lista feita por avaliação do público na internet.

Se formos levar em consideração somente os filmes dos anos 2000, apenas “A Origem”, “O Cavaleiro das Trevas” e “O Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei” fazem companhia ao filme de Meirelles. Em tempo em que o Rio de Janeiro finalmente combate o tráfico e vence nada como entender como a história de como tudo começou.

Modernamente clássico, ou você tem dúvidas de que uma frase como “Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno, porra.” não tem a mesma expressão para a história do cinema que “Rosebud”?

02 – Batman, O Cavaleiro das Trevas (2008)

Este filme nada mais é do que uma experiência de Nolan. Ele misturou o novo com o classic e deu dois passos adiante, construindo um novo clássico do cinema, não só moderno, mas histórico.

Veja o elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Heath Ledger, Morgan Freeman, Maggie Gyllenhall e Michael Kane. Veja a montagem: construção elementar de um personagem perigoso que tem sua presença marcada por um som em construção (“Psicose?”).

Note o momento da virada brutal e confrontadora entre os dois personagens principais do filme, com direito a comparações ideológicas e possíveis traições de contexto (“O Poderoso Chefão 2”?) e antes do fim: perceba que um filme dramático fabuloso foi embalado como blockbuster serial para consumo regado a pipoca e refrigerante. Como se Nolan perguntasse aos críticos: “Porque tão sério?”.

01 – Sangue Negro (2009)

Se Nolan, agora a pouco, orquestrou a modernização do estilo trabalhado por Coppola em “Batman, O Cavaleiro das Trevas”, Paul Thomas Anderson mexeu em um vespeiro maior: “Cidadão Kane” de Orson Welles.

Sei que comparações estragam conceitos, mas é impossível ver a figura excêntrica de Daniel Plainview, o imperador do petróleo e não fazer nos lembrar de Foster Kane, o imperador da mídia.

A diferença passa pela condução magistral de Anderson, assim como pela atuação de seu ator principal, que era muito melhor que Welles, muito melhor mesmo: Daniel Day-Lewis em seu papel derradeiro e mais marcante do cinema – e olha que estamos falando de um ator que fez Christy Brown de “Meu Pé Esquerdo” e Bill O Açougueiro de “Gangues de Nova Iorque”.

Denso como petróleo e com a atuação mais inflamável dos anos 2000. O filme que não pode deixar de ser visto durante os próximos dez anos.

Por Rodrigo Castro

 

Publicado originalmente em A Sétima e Todas as Artes

Os melhores filmes de 2009 pt. 2: O top 10! – por Rod Castro

10 . “Star Trek” – J.J. Abrams é um cara inteligente. A prova de que ele sabe o que faz, vai além do seu projeto para a TV – “Lost” – passa pelo seu subestimado trabalho frente a cine série Missão Impossível e chega a este atestado de competência chamado “Star Trek”. Tudo o que ninguém soube fazer pela clássica série de ficção, Abrams fez e melhor do que se pensava. Nova franquia a vista e com gigantes possibilidades de se tornar Cult.

9 . “Milk” – Gus Van Sant volta a brilhar, fazendo o que mais sabe fazer: dirigir bons atores – a maioria grandes desconhecidos do público – enquanto retrata, como se estivesse gravando um documentário revelador, a vida de um grande personagem. E este personagem se torna maior quando quem o encarna é o sempre acima da média, Sean Penn.

8 . “500 Dias Com Ela” – Se você é um nerd e reagiu de forma negativa a saída de Sam Raimi e a entrada de Marc Webb frente a franquia do cabeça de teia, refaça seu pensamento ao assistir este excelente filme, que não pode ser segmentado como comédia ou muito menos romance ou drama. Um dos roteiros mais interessantes do ano e um filme que merece ser visto, lembrando e revisto. Recomendo – e duvido se Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel não darão as caras na nova franquia.

7 . “Inimigos Públicos” – Michael Mann vem seguindo em um trajeto que o afasta dos grandes estúdios: utiliza-se de modernos recursos de gravação, opta por roteiros mais que inteligentes e se propôs a realizar mais que filmes, mas obras da sétima arte. Este excelente filme é um dos maiores injustiçados do Oscar deste ano. Um trabalho realizado com maestria e que rende a Johny Depp um personagem crível e digno de uma bela interpretação – longe das caretas e maquiagens carregadas.

6 . “Distrito 9” – Enquanto Stephen Sommers se rendia a efeitos pífios e um enredo tosco em “G.I. Joe” – salvando somente a bela Rachel Nichols – e Michael Bay explodia o mundo, como sempre, em “Transformers” – aqui nem a Megan Fox salva nada – o sul-africano Neill Blomkamp executava em tela um excelente roteiro, com efeitos competentes e nada alarmantes. Senão é o melhore filme do ano, é a segunda maior surpresa de 2010.

5 . “Frost Vs. Nixon” – É impressionante como este excelente filme – baseado em uma peça de sucesso – passou em branco nas maiores premiações de 2009. Filme inteligente, bem dirigido, repleto de memoráveis diálogos, cenas tensamente arquitetadas e dono da melhor dupla em cena do ano. Deve passar para a história como o “Boa Noite, Boa Sorte” de 2009, uma pena.

4 . “Up, Altas Aventuras” – Um dos filmes mais lindos produzidos pelo maior estúdio de animação do planeta Terra. Se alguém tinha dúvida de que os comandados de John Lasseter desejam ganhar o público infantil com uma história bem construída e porque não até adulta, assim como o mestre Miyazaki já faz há tempos, a certeza vem em forma de silenciosos dez minutos iniciais deste excelente filme.

3 . “Deixa Ela Entrar” – Lembra que falei ainda a pouco que “Distrito 9” foi a segunda melhor surpresa do ano? Você pode até ter se irritado com tal declaração, mas após assistir o denso, aterrorizante, inteligente, subversivo e porque não até lindo “Deixe Ela Entrar”, você vai concordar comigo. Um filme sueco, que infelizmente será regravado em solo americano e que deve estar apavorando a geração “Vampiros Romanticos” que lotam hoje as salas de cinema. Se você ainda não assistiu a maior surpresa do ano, assista-a prestando atenção em todos os detalhes, no roteiro e nas atuações deste neoclássico do cinema moderno.

2 . “O Lutador” – Darren Aronofsky é um dos mais talentosos diretores dos anos 00. Poucos podem se orgulhar de ter feito uma sequência de filmes tão poderosos, como ele o fez: “Pi”, “Réquiem Para Um Sonho” e “Fonte da Vida”. Este último foi subestimado pela crítica e o público cabeça, e acabou pondo a prolífera carreira do jovem diretor em cheque. Pois o que ninguém esperava, e acho que até o próprio Darren não esperava, era que a sua redenção viria em dose quádrupla. Explico: “O Lutador” é a redenção de um personagem abandonado por seus fãs, assim como Darren, seu protagonista Mickey Rourke e sua parceira de filme Marisa Tomei. Filme que abala sua percepção de vida e lhe tira o ar por alguns minutos.

1 .“Bastardos Inglórios” – Quentin Tarantino dedicou mais de sete anos de sua vida para escrever este soberbo roteiro. O filme tem uma forca tamanha que é capaz de levantar declarações emocionadas por parte do público, ainda no cinema, a cada cena magistralmente apresentada. Se um dia Quentin pensou em avançar sobre a maioria das convenções que o cinema tanto impôs nos últimos anos, este é o seu atestado de vencedor. O grande desafio começa agora: o que ele fará em seu próximo filme, onde se passará e quem ele terá a coragem de matar – já que ele fez o que ninguém nunca teve a coragem de fazer na história do cinema, matar o Füher.

Texto por Rod Castro, originalmente publicado no endereço

www.asetimaetodas.blogspot.com

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