Saldão de livros na Livraria Valer começa nesta terça

A Livraria Valer faz 21 anos e pra comemorar a data promove o seu já tradicional Saldão de Livros de fim de ano. Serão mais de 15 mil livros à venda com descontos que vão de 50 a 90%. E o melhor de tudo é que os descontos não valem apenas para pagamento à vista, as compras também podem ser feitas com cartão de crédito. Aproveita e comece 2012 devendo mais, mas com a certeza que foi um bom investimento.  A promoção começa nesta terça-feira (13.12) e vai até o sábado  (17.12).

Promoção pra Valer

Quando: De 13 a 17 de dezembro, de 08h às 18h

Onde: Livraria Valer, Rua Ramos Ferreira, 1195 – Centro

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Daytripper: um bilhete só de ida

Um dos grandes sucessos dos quadrinhos nacionais de 2011 foi Daytripper, dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. A história foi lançada primeiro nos Estados Unidos pelo selo Vertigo, da DC Comics, e antes mesmo de chegar ao Brasil já havia faturado o prêmio Eisner e o Prêmio Harvey. Para quem ainda não sabe esses são, respectivamente, o Oscar e o Globo de Ouro dos quadrinhos.

Daytripper narra a história(s) da(s) vida(s) de Brás de Oliva Domingo. Logo de cara o protagonista remete a duas referências, uma no nome e a outra no rosto. Brás também é o nome do personagem de Machado de Assis que narrava sua própria vida do além. E o rosto do personagem parece ser inspirado no do compositor e escritor Chico Buarque, também filho de um importante escritor.

Essas duas referências iniciais poderiam ser indícios para o que se desenrola nas páginas seguintes. Mas dificilmente, a menos que já tenha lido ou ouvido algum spoiler, o leitor vai adivinhar o que acontece no final do primeiro capítulo. Ou mesmo do segundo. E ainda mais no sétimo – de longe o mais sinistro.

A narrativa não-linear dos gêmeos nos leva das lembranças de infância até a velhice do protagonista. Cada fase da vida tem suas próprias prioridades, seus coadjuvantes interessantes, suas tristezas e suas alegrias. A mistura dessas duas últimas, tão comum na cultura brasileira (já dizia Vinícius que pra fazer samba é preciso um bocado de tristeza), é o que mais encanta em Daytripper. E com certeza auxiliou na conquista dos leitores internacionais dos gêmeos.

As referências só melhoram ao longo das 250 páginas. Seja nos nomes que remetem à obras e autores da literatura, como Dante ou Miguel, à música, como Jorge, ou mesmo à outros quadrinhos, como Sandman. A ambientação, assim como nas obras anteriores da dupla, é perfeita, tornando possível sentir uma atmosfera diferente em cada capítulo.

Daytripper leva a produção nacional a um novo patamar. Resta a nós, leitores, procurar as deliciosas referências (intencionais ou não), se inspirar para escrever nossas próprias histórias ou apenas esperar pelas próximas. Quer elas venham dos gêmeos ou de outros autores nacionais, desejamos que sejam sinceras e expressivas como essa. Se tivermos sortes, serão ainda mais significativas.

Afinal, como Moon e Bá bem nos deixam claro, a vida é um bilhete só de ida…

Ciclo de Palestras “Filosofia e Mitologia” encerra hoje

A Organização Internacional Nova Acrópole encerra nesta sexta-feira (02/09) o ciclo de palestras “Filosofia e Mitologia”, do Projeto Sexta Filosófica, em parceria com a Livraria Valer.  O tema da palestra  é “O Anel dos Nibelungos”,  que aborda a história do herói Sigfrid, o qual tinha a missão de guardar um poderoso anel que apresentava a propriedade de possuir aqueles que o possuíam – a história que inspirou O Senhor dos Aneis ensina sobre como ter as coisas sem ser tido por elas e será abordada sob a ótica filosófica buscando extrair conhecimentos válidos a todo ser humano.

Ciclo de Palestras: Filosofia e Mitologia
Quando: Sexta, 02 de agosto, às 19h

Onde:  Espaço Cultural da Livraria Valer, localizado na Av. Ramos Ferreira, 1195 – Centro

Quanto: gratuito

Livraria Arqueólogo encerra suas atividades

Durante 14 anos um trecho da avenida Getúlio Vargas, no centro de Manaus, abrigou um lugar  que fez parte da história de muita gente. Trata-se da Arqueólogo, a livraria pioneira que tinha como ponto forte a comercialização de livros, cds,gibis e  LP’s usados.

Seja para jogar RPG ou garimpar raridades, a Arqueólogo  fidelizou clientes que desde já lamentam o anunciado fim. “A Arqueólogo me ajudou bastante, pois na minha adolescência a cidade não tinha tantas opções de livraria. Encontrei muitos livros que eram difíceis de achar e conheci muita gente no sebo. Fez parte da história da cidade  e é uma pena que vá fechar.” afirma a universitária Sandra de Lima.

Para encerrar suas atividades, o sebo promove até o dia 30 de agosto uma queima de estoque onde  todo o acervo da livraria será vendido com 50% de desconto à vista. Vale a visita, pois uma coisa já é certa: subir um estreita escada vai deixar muitas saudades.

Queima de estoque Livraria Arqueólogo

Quando: De 22 a 30 de agosto de 08h30 às 18h

Onde: Livraria Arqueólogo, localizada na avenida Getúlio Vargas, nº 766, 2º andar- Centr0

Telefone:  3234-0665

Resenha HQ: Três Sombras

Uma história sobre relações familiares, um conto de suspense e a narrativa de uma viagem épica. Essas três definições cabem à graphic novel Três Sombras, do francês Cyril Pedrosa. Os três estilos se alternam com a mesma suavidade que o artista imprime nas páginas em preto e branco. A arte fluida e de traço livre dá vida a personagens representados de forma cartunesca, sem abrir mão da expressividade de cada momento.

Três sombras fala sobre perda e aceitação. Enquanto algumas pessoas não aceitam a perda até o último instante, outras nunca a admitem. É como voltar para casa após uma longa viagem e sentir saudades de tudo o que conheceu. A tristeza pesa, mas é preciso continuar. Não se trata de uma história surpreendente, mas o roteiro mantém o interesse pela narrativa até o final.

Somos apresentados no álbum à Louis e Lise que vivem numa casinha de campo juntos com seu filho Joachim. A vida é parnasiana e bucólica, nada falta para a família. Até que um dia chegam as três sombras do título. A partir daí a história se alterna entre momentos infantis e assustadores.

O autor cria uma ótima ambientação para cada passagem e capricha nos personagens. As ações deles são coerentes. Desde a velha Pique até os companheiros de viagem no barco, todos têm motivações críveis. Ao revelar o que há de mais importante para cada personagem, Pedrosa reforça o consequente medo da perda.

Com os protagonistas não é diferente. A tristeza de Lise, a obstinação de Louis e a sinceridade de Joachim fazem sentido com o desenrolar da trama. Mesmo ao apresentar um mundo em que coisas fantásticas e sinistras acontecem a todo tempo, as emoções humanas estão todas ali, sempre presentes. E nada disso passa despercebido por Joachim, que tudo interpreta ao seu modo.

O maior mérito da história é a cumplicidade que busca manter com o leitor. O autor criou uma relação entre o que os desenhos mostram, o que os personagens falam e o que ambos deixam que o leitor complete por si só. É com a compreensão de como esses três elementos se completam que Cyril Pedrosa escreveu uma fábula bonita e envolvente.

Resenha HQ: Scott Pilgrim contra o Mundo Vol. 3

E finalmente foi lançado no Brasil o último volume da história em quadrinhos feita em 8 bits Scott Pilgrim contra o Mundo. Para quem nunca leu ainda dá tempo. É a história de como o protagonista Scott abandona sua preciosa vidinha para conquistar sua hora e vez. Esse último volume começa com a promessa de um grande clímax, com a chegada à cidade dos gêmeos Katanayagi e de Gideon, o líder da Liga dos Ex-Namorados do Mal da Ramona.

Quem chegou até aqui esperando muita pancadaria e referências pops não vai se decepcionar. São mais de 400 páginas de lutas contra robôs, teletransportes, manobras de ataque gamers, viagens pela rodovia subespacial, controle mental, perdas de níveis, frases de efeito, música boa e bandas ruins. E tudo aquilo que vai fazer você se sentir como num longo e agradável vídeo-game.

E o autor Brian Lee O’ Malley não para por aí. Nesse volume ele aprofunda a metáfora em que cada ex-namorado derrotado é um “ nível” a mais que o namoro de Scott e Ramona ganha. É nessa parte que o autor deixa claro qual é o principal mote da história de Scott. São as mudanças por quais passamos para sair de nossas vidinhas medíocres e passarmos para a “ próxima fase” .

Para Scott essas passagens sempre aconteceram à medida que ele derrotava vilões, salvava garotas ou aprendia a tocar uma música nova. Mas para zerar esse “ jogo” ele terá que fazer bem mais que isso. E isso não diminui a importância dos vilões, do teleporte, dos amigos de batalha: essas coisas se complementam, todas são importantes.

Esse último volume também retrata as mudanças pelas quais todos os personagens passaram. As diferenças que eles demonstram quando são comparados com os primeiros volumes são nítidas ao leitor, ainda que não sejam perceptíveis ao próprio protagonista. Em dado momento O’ Malley sentencia por meio de uma personagem: “ Eu sei que eu estou diferente. Todo mundo está diferente” .

Quem assistiu ao filme ainda vai ter boas supresas ao ler o final da HQ. A produção de Edgar Wright teve que cortar muita coisa para caber na telona, de forma que os quadrinhos valem a pena ser lidos. Prepare-se para descoberta de qualidades ou podres de alguns personagens, incluso o nosso heróico protagonista.

Ao final fica a vontade de ter conhecido melhor os ótimos coadjuvantes da série, que não tiveram espaço para serem tão bem retratados nas mais de 1.200 páginas totais. Ao vermos Kim Pine, Stephen Stills, Knives Chau e tantos outros, percebemos o quanto mudaram, mas não tivemos tempo de saber como aconteceu. Estávamos ocupados demais acompanhando Pilgrim em sua quest.

Caso sinta aquela deprê pós-história-legal não se surpreenda. Difícil é não se identificar com Scott e sua turma de amigos. Afinal, todo mundo já levou um fora quando estava apaixonado ou já teve que voltar pro início do jogo por conta de um chefão apelão. O importante é tentar de novo.

Uma lua no céu, 10 pãezinhos na mesa pt.3

Acompanhe a  tão esperada parte final da entrevista com os quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá.

Daytripper, Manaus e o futuro

O último trabalho de vocês, Daytripper, está fazendo muito sucesso nos Estados Unidos e na Austrália. Sobre o que se trata a história e quando ela será lançada no Brasil?

Gabriel Bá – O Daytripper é uma história sobre um cara chamado Brás que quer ser escritor. Contamos a história mostrando vários momentos na vida dele que foram importantes para ele se tornar o homem que ele é, momentos que construíram seu caráter. Queríamos trabalhar com a ideia de que qualquer momento na sua vida pode ser importante pra você. Não precisa ser um super acontecimento global, às vezes terminar um relacionamento pode ser algo que vai mudar sua vida dali pra frente. Ou conhecer uma pessoa. Ou publicar um livro, sua vida vai mudar antes ou depois, você começa a enxergar de outro jeito. Como as coisas que acontecem na sua vida vão te transformando e vão construindo sua personalidade. Basicamente, é isso.

Nas  histórias  vocês costumam captar a aura, essência de uma cidade. Como é esse processo?

Fábio Moon – A gente começou focando em São Paulo porque era a realidade que conhecíamos.

GB – Sempre gostamos de autores que usam o cenário para ajudar a história. Quando éramos moleques, lemos o Edifício do Will Eisner. A gente também adorava as histórias do Laerte, porque elas se passavam em São Paulo e nós conhecíamos as ruas, casas e calçadas. Então isso nos influenciou muito, de como você pode agradar o leitor se você caprichar no cenário, colocar um lugar que ele reconheça, pois ajuda o leitor a entrar na história. Sempre pensamos em lugares que façam sentido na história que estamos contando. Quando você trabalha bem o lugar, cria uma camada que pode ser tão interessante quanto o personagem criado.

Durante a pesquisa para produção da Daytripper vocês estiveram em Salvador, cidade na qual se passa a segunda parte da história. Essa experiência deu certo? Ajudou na narrativa?

FM – Não é uma prática comum, mas acho que faz a diferença às vezes. Depende de onde você vai, do que a cidade vai fazer parte da história. Eu acho que fez diferença no Daytripper… a gente pretende fazer sempre que achar que é necessário… (risos)

GB – Estamos em Manaus… (risos) e não só à turismo…

FM – Tem que ter um propósito, porque senão acabamos usando apenas o cartão postal da cidade que a gente não mora, não conhece. E aí depende do propósito, se for só o cartão-postal, tudo bem. Mas se for algo que precise de uma intimidade maior com a geografia da cidade, com o jeito que as coisas acontecem, aí faz diferença.

Se fossem escolher alguma cidade brasileira para aparecer em um futuro quadrinho, qual seria?

GB – Viemos para Manaus para isso, vamos para São Luís, no Maranhão para isso, então… pretendemos ir para o Rio para isso… então.. não sei…

E essa vinda para Manaus e São Luiz vai ser vir para a mesma história?

FM – Ah, isso é segredo (risos). Fazer quadrinhos demora muito tempo, então, como nenhum dos nossos projetos vai sair nos próximos dois anos, nós achamos que divulgar uma coisa numa notícia que só sai daqui a dois anos, não funciona. Já ficamos sem jeito de falar de Daytripper que só sai no fim de agosto… por isso não entramos em detalhe dos projetos futuros porque senão as pessoas esquecem…

E os próximos projetos? No que vocês trabalharão durante 2011?

FM – No Brasil nada sai novo em menos de dois anos, quer dizer Daytripper é lançado no Brasil em Agosto.

GB – Para fora do Brasil tem um Casanova novo, que deve sair em setembro nos Estados Unidos.

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A equipe do Maodita agradece imensamente  a Gabriel Bá e Fábio Moon não só pela entrevista, mas também por nos presentearem com  histórias que sempre são mais do que personagens e cenários. São sentimentos.

P.S. Durante o 1º Encontro Quadrinhos na Cia, que aconteceu no sábado, 21 de maio de 2011, Gabriel Bá e Fábio Moon abriram o jogo e revelaram que estão adaptando para os quadrinhos a obra  Dois Irmãos, do amazonense Milton Hatoum.

Parte 1

Parte 2

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